VÍRUS

Quem nunca ficou gripado, levanta a mão! (Duvido que você tenha levantado…)
Você sabia que a gripe, assim como a catapora, o sarampo, febre amarela e até a dengue e a AIDS são doenças causadas por vírus? Sabia que a palavra “vírus” veio do latim virus (sem o acento) e significa toxina, veneno? Continue lendo este post e aprenda mais coisas sobre esses seres tão temidos e pequeninos, os VÍRUS!

CARACTERÍSTICAS DOS VÍRUS

Vírus são seres diminutos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico. Eles são também seres acelulares, ou seja, não têm organização celular; sem a mesma, não há metabolismo. Logo, para possuírem atividade metabólica, os vírus precisam de células que os hospedem. Todos os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.
É importante comentar que quando uma partícula viral não está hospedada em uma célula, ela recebe o nome de vírion (ou víron).

  

ESTRUTURA DOS VÍRUS

Os vírus são constituídos de uma ou várias moléculas de ácido nucléico (DNA ou RNA), as quais possuem a forma de fita simples ou dupla, e proteína, que forma um envoltório protéico para revestir os ácidos nucléicos dos vírus.
Observe a figura e acompanhe as definições:

 1. Ácido nucléico: molécula portadora do genoma viral.
 2. Capsídio: envoltório protéico que envolve o material genético dos vírus.
 3. Nucleocapsídio: estrutura formada pelo capsídio associado ao ácido nucléico que  ele engloba.
 4. Capsômeros: subunidades proteícas(monômeros) que agregadas constituem o capsídeo.
 5. Envelope: cápsula externa ao capsídio, que em alguns casos, envolve a partícula viral externamente. É formado por duas camadas de lipídios derivadas da membrana plasmática da célula hospedeira e por moléculas de proteínas virais.
 6. Peplômeros (espículas): estruturas proeminentes, geralmente constituídas de glicoproteínas e lipídios, que são encontradas ancoradas ao envelope, expostas na superfície.

CLASSIFICAÇÃO DOS VÍRUS

Classificação ICTV

O Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) desenvolveu o sistema de classificação atual e um sistema universal para classificar os vírus foi estabelecido. O 7 º Relatório lCTV formaliza pela primeira vez o conceito de espécies de vírus como o menor taxon em uma hierarquia de ramificação dos taxons virais. No entanto, atualmente apenas uma pequena parte da diversidade total de vírus tem sido estudada. A estrutura geral taxonômica é a seguinte:

Ordem (-virales)
Família (-viridae)
Subfamília (-virinae)
Gênero (“vírus”)
Espécie (“vírus”)

Na atual taxonomia ICTV (2008), cinco pedidos foram estabelecidos: Caudovirales, Herpesvirales, Mononegavirales, Nidovirales e Picornavirales. A comissão não se formalmente a distinção entre subespécies, estirpes e isolados. No total, há 5 ordens, 82 famílias, 11 subfamílias, 307 gêneros, 2.083 espécies e cerca de 3.000 tipos ainda não classificados.

 

Classificação Baltimore

O ganhador do Prêmio Nobel David Baltimore, biólogo inventou o sistema de classificação de Baltimore. O sistema de classificação ICTV é usado em conjunto com o sistema de classificação de Baltimore na classificação de vírus modernos.

A classificação dos vírus Baltimore é baseada no mecanismo de produção de mRNA. Vírus deve gerar mRNAs de seus genomas para produzir proteínas e se replicar, mas os diferentes mecanismos são utilizados para esta finalidade em cada família de vírus. De acordo com a classificação feita por Baltimore, existem 7 Classes de vírus:

– Classe I – DNA de banda (ou fita) dupla.
– Classe II – DNA de banda simples.
– Classe III – RNA de banda dupla.
– Classe IV – banda simples de RNA positivo (isto é, o RNA é imediatamente traduzido pelos ribossomos, atuando como se fosse RNA mensageiro).
– Classe V – banda simples de RNA negativo (é necessário transcrever a banda em RNA mensageiro).
– Classe VI – banda simples, positiva, de RNA, com DNA como intermediário na formação das proteínas (retrovírus).
– Classe VII – banda dupla de DNA com um RNA intermediário na replicação (Hepadnavírus).

 

ALGUMAS DEFINIÇÕES SOBRE DOENÇAS INFECCIOSAS

 – Agente etiológico: Agente causador de uma doença
– Transmissão: Ato de transmitir, passar algo para alguém
– Vetor:
Agente de disseminação de doenças infecto-contagiosas
– Hospedeiro: Organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si, seja este um parasita, um comensal ou um mutualista.
– Endemia:  Doença que existe constantemente em determinado lugar.
– Epidemia: Ocorrência súbita, e em número elevado de pessoas, de doença.
– Pandemia: Epidemia que ocorre em grandes proporções em região, país ou continente, ou até mesmo, por todo o planeta.

BACTERIÓFAGOS

O termo vírus geralmente é utilizado para denominar os agentes infecciosos de eucariontes. Quando queremos descrever aqueles que infectam procariontes, utilizamos o termo bacteriófago. Os bacteriófagos são formados apenas pelo nucleocapsídio, não existindo formas envelopadas.

Os mais estudados são os que infectam a bactéria intestinal Escherichia coli, conhecidos como bacteriófagos T. Eles são constituídos por uma cápsula protéica muito complexa, que apresenta uma região denominada cabeça, com formato poligonal, envolvendo uma molécula de DNA, e uma região denominada cauda, com formato cilíndrico, contendo, em sua extremidade livre, fibras protéicas.

Existem basicamente dois tipos de ciclos reprodutivos: o ciclo lítico e o ciclo lisogênico. Ambos têm início quando o bacteriófago T entra em contato com a bactéria, aderindo à parede celular através das fibras protéicas da cauda. Sem esse reconhecimento molecular, um bacteriófago não consegue infectar a Escherichia coli.

Então, a cauda do bacteriófago T se contrai, impelindo a parte central, tubular, para dentro da célula, como se fosse uma microsseringa. O DNA do bacteriófago é, então, injetado no citoplasma. A partir desse momento, começa a diferenciação entre ciclo lítico e ciclo lisogênico.

No ciclo lítico, o bacteriófago invade a bactéria, onde as funções normais desta são interrompidas na presença de ácido nucléico do invasor. Ao mesmo tempo em que o DNA é replicado, comanda a síntese das proteínas que comporão o capsídeo. Os capsídeos organizam-se e envolvem as moléculas de ácido nucléico. São produzidos, então novos vírions.

Cerca de 30 minutos após a entrada de um único bacteriófago invasor, a célula bacteriana já está reduzida a uma bolsa repleta de partículas virais. Nesse momento são produzidas enzimas que iniciam a lise celular, ou seja, a parede bacteriana rompe-se e vírions maduros são liberados, podendo infectar outras bactérias e reiniciar o ciclo.

Sintomas causados por um bacteriófago que se reproduz deste modo, em um organismo multicelular, aparecem imediatamente. Nesse ciclo, os bacteriófagos utilizam os ribossomos da célula para fabricar sua proteína (capsídeo).

No ciclo lisogênico, o vírus invade a bactéria ou a célula, incorporando seu DNA ao DNA dela. Isto é, seu DNA torna-se parte do DNA da célula infectada. Entretanto, ao contrário do outro ciclo, a célula continua suas operações normais, como reprodução e ciclo celular. Durante o processo de divisão celular, o material genético da célula, juntamente com o material genético do bacteriófago que foi incorporado, sofrem duplicação e em seguida são divididos equitativamente entre as células-filhas. Assim, uma vez infectada, uma célula começará a transmitir o vírus sempre que passar por mitose e todas as células estarão infectadas também. Sintomas causados por um vírus que se reproduz deste modo, em um organismo multicelular, podem demorar a aparecer. Doenças causadas por vírus lisogênico tendem a ser incuráveis, como a AIDS, por exemplo.

Sob determinadas condições, naturais e artificiais (tais como radiações ultravioleta, raios X ou certos agentes químicas), uma bactéria lisogênica pode transformar-se em não-lisogênica e iniciar o ciclo lítico.

 

As informações que seguem são sobre duas doenças super conhecidas, causadas por vírus: AIDS e dengue.

 

AIDS

A AIDS (siga em inglês que significa síndrome da imunodeficiência adquirida) é uma doença causada por um vírus, o HIV (sigla também em inglês, vírus da imunodeficiência humana). Este vírus possui um ciclo reprodutivo do tipo lisogênico e ataca os linfócitos, células do sangue que têm como função defender o organismo contra invasores (bactérias e vírus). Quando os vírus destroem os linfócitos, o sistema imunológico torna-se deficiente e o portador do vírus fica exposto a uma série de doenças.

A transmissão do HIV ocorre através do contato direto de uma membrana mucosa ou na corrente sanguínea com um fluido corporal que contêm o HIV, tais como sangue, sêmen, secreção vaginal, fluído preseminal e leite materno. É possível encontrar o HIV na urina, na lágrima e na saliva de um portador, mas a concentração do vírus nesses fluidos é muito pequena, fazendo com que o risco de transmissão seja insignificante.

Os sintomas iniciais da AIDS começam a se manifestar 2 a 4 semanas após a infecção: febre, mal-estar, gânglios linfáticos inchados, pele vermelha, e/ou meningite viral. Por serem muito parecidos com os da gripe, estes sintomas são tratados como tal, ou ignorados, e acabam desaparecendo, mesmo sem tratamento, após algumas semanas. Na segunda fase da doença, que dura em média 10 anos, não há ocorrência de sintomas; o portador é soropositivo, mas ainda não desenvolveu a doença. Seus níveis de linfócitos T CD4+ diminuem lentamente. Na terceira fase, a fase da AIDS em si, os níveis de linfócitos T CD4+ já estão muito críticos, não há mais uma resposta imunitária eficaz contra invasores. Os sintomas dessa fase são: cansaço, tosse, perda de peso, diarreia, inflamação dos gânglios linfáticos, suores noturnos.

A AIDS ainda não tem cura; entretanto existe um tratamento eficaz contra a doença. O medicamento mais utilizado atualmente é o AZT (zidovudina), um bloqueador de transcriptase reversa. A principal função do AZT é impedir a reprodução do vírus da AIDS ainda em sua fase inicial. Outros medicamentos usados no tratamento da Aids são : DDI (didanosina), DDC (zalcitabina), 3TC (lamividina) e D4T (estavudina). Embora eficientes no controle do vírus, estes medicamentos provocam efeitos colaterais significativos nos rins, fígado e sistema imunológico dos pacientes.
Ainda não existe uma vacina contra a AIDS, devido à dificuldade encontradas pelos cientistas em trabalhar com o vírus, que possui uma grande capacidade de mutação.

As formas de prevenção contra esta doença são muito simples: usar preservativos (camisinhas) nas relações sexuais, utilizar agulhas e seringas descartáveis em transfusões de sangue (ou em outras situações) e esterilizar objetos cortantes.

CURIOSIDADE: dia 1 de dezembro comemora-se o dia mundial de luta contra a AIDS.

DENGUE

 A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti quando este está infectado por um dos quatro tipos de vírus da dengue.  A dengue não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra.
Existem dois tipos de dengue: a clássica e a hemorrágica. As pessoas que contraem a dengue clássica geralmente apresentam sintomas como: forte dor de cabeça; dor atrás dos olhos; tonturas; moleza e dor no corpo; náuseas e vômitos; intenso cansaço; perda do paladar e apetite, além de manchas vermelhas na pele.

Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue comum. A diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sinais de alerta: dores abdominais fortes e contínuas; sangramento do nariz e gengivas; sede excessiva e boca seca; pulso rápido e fino; dificuldade respiratória; vômitos persistentes.

O tratamento da dengue é feito com ingestão de bastante líquidos e repouso. Não é indicado auto medicar-se: remédios à base de ácido acetilsalicílico (AAS) ou outros antinflamatórios não-esteróides (AINEs) normalmente usados para febre facilitam a hemorragia.

Prevenir a dengue é simples. O segredo é não deixar água parada, já que é nela que o mosquito Aedes aegypti  (o vetor do arbovírus causador da dengue) põe seus ovos. A seguir, algumas dicas de como não deixar água parada:

– Manter a caixa d’água sempre fechada com uma tampa adequada;
– Guardar garrafas sempre de cabeça para baixo;
– Guardar pneus em local coberto ou entregá-los ao serviço de limpeza urbana;  
– Encher os pratinhos de vasos de planta até a borda com areia;
– NUNCA jogas lixo em terrenos baldios, mas colocá-lo em sacos plásticos e manter a lixeira bem fechada;
– Lavar os vasilhames de água dos animais domésticos com bucha e sabão pelo menos uma vez por semana;
– Manter os ralos da casa tampados;
– Tratar a água da piscina com cloro e fazer limpeza uma vez por semana. Se a piscina não estiver sendo usada, cubra-a bem. Se estiver vazia, coloque um quilo de sal na parte mais rasa;
– Remover tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas;
– Não deixar a água de chuva acumular sobre a laje.

Então, por hoje é só. Até o próximo post!
 

P.S. As fontes de consulta se encontram nos comentários ;D

5 responses to this post.

  1. post muito bom, meninas!!😀

    adorei a charge!! auhauhua
    temos mesmo que lutar contra a gendue \o/

    beijos!!

    Responder

  2. Muito bom o blog de vcs!

    Organizado, bem ilustrado, um pouco de informação a mais, né? Heheheh sobre Classificação Baltimore….mas tudo bem!

    Bjs!

    Responder

  3. Posted by Loiane on 06/06/2011 at 21:13

    Olá, gostei muito desse post e principalmente da figura sobre os ciclos lítico e lisogênico dos bacteriófagos. Por favor, vocês poderiam me informar a fonte, de onde vocês tiraram essa figura? É de algum livro? Agradeceria muito, obrigada.

    Responder

    • Loiane, desculpe pela demora. A figura é de um livro sim, nós estávamos procurando o livro para te falar (ele pertence à biblioteca da nossa escola, estava emprestado, não achávamos a figura em lugar nenhum… Foi mal mesmo).
      Tá aí ó:
      Biologia, César e Cezar. Volume único, 2ª edição. São Paulo, 1999. Editora Saraiva.

      =]

      Responder

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