TÉTANO

Espasmos musculares de um paciente que sofre de tétano. Pintado por Sir Charles Bell, 1809

O tétano é uma doença infecciosa grave que frequentemente pode levar à morte; pode acometer indivíduos de qualquer idade. É causada pela neurotoxina tetanospasmina, que é produzida por uma bactéria anaeróbica e Gram-positiva, a Clostridium tetani, encontrada comumente no solo sob a forma de esporos (formas de resitência). Já no século V a.C tem-se registro de ocorrência de tétano: Hipócrates escreve dando inúmeras descrições clínicas da doença. Sua causa, entretanto, só foi descoberta em 1884, por Carle e Rattone.

TRANSMISSÃO

O tétano não é transmitido de uma pessoa para outra; pode ser adquirido através da contaminação de ferimentos (tétano acidental), inclusive os crônicos (como úlceras varicosas) ou do cordão umbilical (tétano neonatal).

Clostridium tetani, agente etiológico do tétano

Os esporos do Clostridium tetani são encontrados habitualmente no solo e, sem causar o tétano, nos intestinos e fezes de animais (cavalos, bois, carneiros, porcos, galinhas, etc.). Também podem ser encontrados, principalmente em áreas rurais, na pele, no intestino e fezes de seres humanos, sem causar a doença. Quando em condições anaeróbicas, como ocorre em ferimentos, os esporos germinam para a forma vegetativa do Clostridium tetani, que se multiplica e produz a tetanospasmina, que é disseminada através do sistema circulatório (sanguíneo e linfático).  A tetanospasmina é uma neurotoxina extremamente potente, capaz de ser letal para seres humanos em doses de 2,5 nanogramas por quilo de peso.

Tétano acidental

O tétano acidental é adquirido através da contaminação de ferimentos (mesmo pequenos) com esporos  do Clostridium tetani, que são encontrados no ambiente (solo, poeira, esterco, superfície de objetos – principalmente quando metálicos e enferrujados).

Tétano neonatal

As gestantes que nunca foram vacinadas, além de estarem desprotegidas, não passam anticorpos protetores para o filho, o que acarreta risco de tétano neonatal para a criança com até 28 dias de idade. O tétano neonatal (também chamado de tétano umbilical, “mal dos sete dias”) é adquirido quando ocorre contaminação do cordão umbilical com esporos do Clostridium tetani. A contaminação pode ocorrer durante a secção do cordão com instrumentos não esterilizados ou pela utilização subseqüente de substâncias contaminadas para realização de curativo no coto umbilical (esterco, fumo, pó de café, teia de aranha, etc.).

SINTOMAS

O período de incubação pode variar de 3 a 21 dias (sendo o mais comum 8 dias). Em casos de recém-nascidos, o período de incubação é de 4 a 14 dias, sendo 7 o mais comum. Na maioria dos casos, quanto mais afastada do sistema nervoso estiver a ferida, mais longo é o período de incubação. O período de incubação e a probabilidade de morte são inversamente proporcionais.

O tétano é caracterizado pelos espasmos musculares e suas complicações. Eles são provocados pelos mais pequenos impulsos, como barulhos e luzes, e continuam durante períodos prolongados. O primeiro sinal de tétano é o trismus, ou seja, contração dos músculos mandibulares, não permitindo a abertura da boca. Isto é seguido pela rigidez do pescoço, costas, risus sardonicus (riso causado pelo espasmo dos músculos em volta da boca), dificuldade de deglutição, rigidez muscular do abdômen, opstotóno (espasmo em que se recurvam para trás a cabeça e os calcanhares, arqueando-se para diante o resto do corpo). O paciente permanece lúcido e sem febre. A rigidez e espasmos dos músculos estendem-se de cima para baixo no corpo.

Sinais típicos de tétano incluem uma elevação da temperatura corporal de entre 2 a 4 °C, diaforese (suor excessivo), aumento da tensão arterial, taquicardia. Complicações da doença incluem espasmos do diafragma, fraturas de ossos longos por causa de espasmos violentos e hiperatividade do sistema nervoso autônomo. Cerca de 30% dos casos são fatais, por asfixia devido a espasmos contínuos do diafragma.

TRATAMENTO

cavalo faz parte da produção do soro antitetânico

O tratamento do tétano é feito com o doente internado em hospital. É dada a ele a imonuglobulina antitetânica (de origem humana). O soro antitetânico (produzido em cavalos) é dado apenas quando esta está em falta, uma vez que a presença de proteínas de origem animal na composição do soro torna mais provável a ocorrência de reações alérgicas. Também são dados relaxantes musculares, como o curare. A penicilina e o metronidazol eliminam as bactérias, mas não têm efeito na tetanospasmina. Os depressores do sistema nervoso central Diazepam e DTP agem reduzindo a ansiedade e resposta espásmica aos estímulos. Cuidados gerais são tomados para não estimular o paciente, mantendo-o na penumbra e com pouco ruído (a fim de não estimular espamos). Realiza-se uma limpeza cirúrgica do ferimento.

O período de internação de uma pessoa com tétano é prolongado e geralmente fica entre três e quinze semanas. Os custos do tratamento são extremamente elevados.

PREVENÇÃO

bebês devem ser vacinados aos dois meses

Como não é possível eliminar os esporos do Clostridium tetani do ambiente, para prevenir a doença é essencial que todas as pessoas estejam adequadamente vacinadas (a vacinação é a principal forma de prevenção da doença).

A vacina contra o tétano foi desenvolvida em 1924. Ela está disponível nos Centros Municipais de Saúde para pessoas de qualquer idade. O esquema básico de vacinação na infância é feito com três doses da vacina tetravalente (DTP + Hib), que confere imunidade contra difteria, tétano, coqueluche e infecções graves causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (inclusive meningite), aos dois, quatro e seis meses, seguindo-se de um reforço com a DTP aos 15 meses e outro entre quatro e seis anos de idade.

Em adolescentes e adultos não vacinados, o esquema vacinal completo é feito com três doses da dT (vacina dupla), que confere proteção contra a difteria e o tétano. Para assegurar proteção permanente, além da série básica, é necessária a aplicação de uma dose de reforço a cada dez anos, uma vez que os níveis de anticorpos contra o tétano (e contra a difteria) vão se reduzindo com o passar do tempo.

A dT pode ser administrada com segurança em gestantes e constitui a principal medida de prevenção do tétano neonatal, não se eximindo a importância do parto em condições higiênicas e do tratamento adequado do coto umbilical. Para garantir proteção adequada para a criança contra o risco de tétano neonatal, a gestante que tem o esquema vacinal completo com a última dose feita há mais de cinco anos deve receber um reforço no sétimo mês da gravidez.

Independentemente de o esquema vacinal estar completo ou não, é essencial realizar a limpeza do ferimento com água e sabão, e a retirada corpos estranhos (terra, fragmentos metálicos e de madeira), até para evitar infecção secundária com outras bactérias. Se o indivíduo não estiver com o esquema completo, dependendo do tipo de ferimento, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva, feita com a imunoglobulina antitetânica, e na falta desta, com o soro antitetânico.

Vamos nos prevenir, tétano pode matar!

3 responses to this post.

  1. Ficou ótimo!

    Responder

  2. Posted by ROSA MARIA DOS SANTOS SOLIS on 26/08/2015 at 21:28

    SIM FICOU BOM EU TIVE TETANO NEONATAL COM TESOURA CONTAMINADA NO PARTO DE MINHA MÃE.

    Responder

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